sexta-feira, 11 de março de 2016

Na busca por uma medula, metade dos pacientes morre à espera por leito e doador

Menos de 2% dos brasileiros são doadores voluntários de medula

A saga de quem busca uma medula nova para sobreviver torna-se ainda mais dura com a notícia tétrica de que metade dos pacientes morre no aguardo do transplante. Os motivos vão desde a dificuldade de identificar, depois de localizar o doador até a falta de leito disponível nos hospitais para o procedimento.


Ana Luiza Cunha da Costa, seis anos, contrariou todas as previsões e estatísticas. Diagnosticada com aplasia medular — falência total no sistema responsável pelas defesas do organismo — aos três anos, a menina não encontrou alguém compatível, mas foi salva pela decisão dos pais: selecionar um bebê em laboratório para ser 100% compatível com Ana Luiza. Há um ano e meio Antônia nasceu e doou parte da medula, regenerando o sistema imunológico da irmã e a esperança da família.

ZH acompanhou 10 meses da luta da família de Gravataí, na Região Metropolitana, e publica na sexta-feira um webdocumentário de 20 minutos, dividido em cinco capítulos, e um site especial falando da importância de se tornar um doador de medula óssea. 



No Brasil, são 3,3 milhões de voluntários cadastrados no banco de medula — o que corresponde a 1,66% da população. Apesar de haver pessoas, como Ana Luiza, que não encontram compatibilidade no banco de doadores de medula e haver a necessidade de mais voluntários, principalmente de etnias diversas se cadastrarem, o maior drama hoje é encontrar um leito no Brasil para efetuar o transplante.

— Foi justamente o aumento na oferta de medulas que fez com que a demanda se tornasse um desafio. Entre 60% e 70% dos pacientes consegue um doador (incluindo a busca entre os parentes e o banco de medula), mas são poucos leitos para atender a todos os que precisam. Infelizmente, acontece muito de o paciente morrer na fila por uma vaga já com doador compatível localizado — Lúcia Silla, presidente da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea.
No Rio Grande do Sul inteiro são apenas 20 leitos, sendo o Hospital de Clínicas de Porto Alegre o único do Estado a realizar transplantes com doadores voluntários. O tempo de espera no país todo pode chegar a oito meses.

— Precisamos sensibilizar as autoridades para que se criem mais leitos. A carência é o dobro do que dispomos hoje — apela Lúcia.

A resistência em aumentar as vagas tem a ver com o valor gasto com cada um destes pacientes, que podem custar cerca de R$ 80 mil nos três primeiros meses e, se tiver complicações, passar de R$ 2 milhões até a cura.

O transplante de medula óssea é um dos mais complexos porque representa a substituição do sistema imunológico do paciente pelo do doador. 
*Cola




Fonte: Zero Hora. 

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