domingo, 18 de dezembro de 2016

Paralimpíada faz crescer busca por exercícios físicos

Antes sedentários, pessoas com deficiências passaram a buscar atividades depois de ver os paratletas pela TV

Paraplégico desde um ano de vida após ser atingido por uma bala perdida, Thiago Salustiano gostava de esportes, mas faltava um empurrãozinho. Ele veio em uma partida de basquete em cadeiras de rodas nos Jogos Paralímpicos do Rio no mês de setembro. Dias depois, procurou a Associação Desportiva para Deficientes (ADD) e hoje treina quatro vezes por semana a modalidade que via pela tevê. “A Paralimpíada é o sonho dos cadeirantes. Lá, a gente mostra que é capaz”, diz o estudante de 19 anos.

Com algumas variações, a história de Thiago está se repetindo. A Paralimpíada foi um estímulo para muita gente começar a praticar atividade física. Não se tratam de atletas de alto rendimento. Ainda não. São pessoas comuns, algumas sedentárias, que começam a sonhar com a rotina de atleta.

Foto: JF Diorio/Estadão

Paraplégico desde um ano, Thiago resolveu praticar basquete em cadeira de rodas depois de assistir aos Jogos Paralímpicos do Rio

Na ADD, a procura foi multiplicada por quatro. Entre janeiro a agosto, foram 37 pedidos de inscrição. Em setembro, exatamente após a Paralimpíada, o número saltou para 112 solicitações. Hoje, a entidade atende gratuitamente 270 participantes. No Centro Esportivo para Pessoas Especiais de Santa Catarina (CEPE), o aumento foi da ordem de 50%. “Os Jogos foram um divisor de águas. Muitas famílias nem sabiam que existiam determinada modalidade”, comemora Sileno Santos, coordenador da ADD.
Cristiana Carneiro Oliveira decidiu levar as duas filhas de uma vez, a Nicole, de 12 anos, e a Bianca, de oito, para a iniciação no atletismo.
O Comitê Paralímpico Brasileiro não possui estatísticas consolidadas, mas identifica um movimento tem escala nacional. O órgão abriu inscrições para voluntários para a próxima edição do Parapan Juvenis (Jogos Paralímpicos Panamericanos), que serão disputados entre 20 e 25 de março em São Paulo. Precisava de 150 voluntários, mas recebeu 650 inscrições de oito países. “Não aumentou apenas a procura pela prática esportiva, mas também o consumo e a participação nos torneios”, afirma Edilson Alves, diretor técnico do CPB.

Foto: JF Diorio/Estadão
Irmãs Nicole e Bianca começaram a treinar atletismo



Antes de participar de competições municipais e regionais, é preciso passar pela classificação funcional, ou seja, a divisão por classes de acordo com a capacidade física. Cada esporte possui a sua classificação específica, podendo ser oftalmológica (deficiência visual), funcional (física) e psicológica (intelectual). Essa categorização permite que disputas justas e equilibradas. A partir daí, vale o desempenho do atleta. O professor de natação Renato Bissolotti explica que só a natação possui 14 classes. “A Paralimpíada foi importante também pela construção do ídolo. As pessoas descobriram referências”, diz.
Falar em ídolo paralímpico é falar de Daniel Dias. Esse foi o nome mais ouvido pelo Estado nas entrevistas. Maior medalhista do Brasil em Paralimpíadas e dono de 10 recordes mundiais em piscina longa, Daniel Dias nasceu com má formação dos membros superiores e perna direita. A partir daí, percorreu o caminho que Thiago está começando. Descobriu o paradesporto ao assistir o nadador Clodoaldo Silva em Atenas/2004. Seu potencial foi identificado exatamente na ADD em um projeto voltado para a iniciação esportiva de crianças e adolescentes com deficiência. Hoje, é um ídolo.

Alunos da UFC criam aplicativo gratuito que incentiva pessoas a doarem sangue

Projeto reúne doadores e pessoas necessitadas no aplicativo ‘DoeSempre’

Estudantes iniciaram o projeto durante uma disciplina na UFC (FOTO: Arquivo Pessoal)


O número de doadores regulares no Ceará aumentou nos últimos anos, mas, ainda está bem distante de ser o ideal. É comum visualizar campanhas nas redes sociais de pessoas necessitadas em receber sangue.
Com isso, um grupo de estudantes do curso de Ciência da Computação da Universidade Federal do Ceará (UFC) tenta mudar esse cenário.
Com a intenção de incentivar a doação e aumentar o número de doadora, os estudantes Lizandra Cardoso, Lana Mesquita, Talles Barbosa, Felipe Lucio e Ricardo Lima, criaram o aplicativo ‘DoeSempre’.
Desenvolvido durante uma disciplina da universidade, a startup se trata de um aplicativo gratuito que reúne doadores e pessoas que estão precisando de doação num único local. “No aplicativo, cada usuário tem o seu perfil, de onde é possível criar campanhas em nome de alguém que recebeu ou que está precisando de doações de sangue. Ele possui uma timeline onde apresenta as campanhas, de forma que estejam acessíveis aos doadores em potencial”, explica Lana.
Ao criar a campanha o solicitante deve preencher informações gerais, como o nome do paciente que recebe ou recebeu bolsas de sangue, o local de doação, o tipo sanguíneo, entre outras informações. Se o usuário é um doador ou quer ser um doador, no aplicativo ele encontrará a campanha ideal de acordo com seus interesses. Também é possível favoritar as campanhas e compartilhar com os amigos. 
Conforme Lizandra, o app segue as recomendações necessárias da Organização Mundial da Saúde. “O app também possui uma seção informativa que explica sobre a doação de sangue, de plaquetas e de medula. Essa seção está de acordo com as normas da OMS e com as informações dos locais de doação presentes em Fortaleza”, destaca.
As informações presentes no aplicativo também abordam como é o processo de doação, quem está apto a doar e os localizações dos postos de coleta em Fortaleza.
Contudo, os criadores da plataforma ressaltam que esta deve ser uma ação voluntária. “A ação de doar sangue deve ser voluntária e altruísta, logo o DoeSempre busca facilitar o acesso à informação necessária às pessoas que têm interesse em doar. Com isso, ele busca fortalecer e expandir a comunidade doadora em Fortaleza”.
O app para dispositivos Android estará disponível na Google Play a partir do dia 10 de novembro de forma totalmente gratuita.
O surgimento da Startup
A ideia dos estudantes de criar o projeto surgiu de um post no Facebook que tinha um pedido por doação de sangue. “Existem muitas campanhas espalhadas nas redes sociais, que contam a história de pessoas que passam por problemas de saúde e incentivava a doação de sangue em seu nome. Então, pensamos: será que esta é a maneira mais eficiente de divulgar essas campanhas?”, destaca Lana.
Conforme os alunos, na maioria das vezes, esse tipo de mensagem se perde na imensidão de conteúdos existentes nas redes sociais e nem sempre essas mensagens possuem as informações importantes ou são verídicas. Segundo eles, existem plataformas específicas para pessoas que gostam de séries, de livros e de game e, por isso, decidiram criar uma plataforma para unir as pessoas que querem fazer o bem através da doação de sangue.
“Começamos a desenvolver a ideia em uma das disciplinas do curso de computação, a partir de abril. No decorrer desses meses, a ideia foi se solidificando e nós fomos nos engajando mais com o projeto e com a causa. Foi por acreditar nisso que mesmo depois do fim da disciplina, em julho, continuamos melhorando o projeto e o deixando cada vez mais profissional”, explica.
Quem pode participar?
Todos os interessados em doação de sangue podem usar o app: doadores de sangue, pessoas que ainda não são doadoras mas querem saber mais sobre o assunto, quem está precisando de doações ou já recebeu sangue e quer ajudar a repor o estoque de sangue.
Os estudantes pedem as pessoas que não tenham interesse ou que não possam doar, que participem da causa. “Acreditamos que mesmo quem não possa doar, pode colaborar apoiando a causa. Seja curtindo a página, divulgando os eventos, ou simplesmente incentivando a doação. Este é um projeto de empreendedorismo social, nosso objetivo é que ele torne-se auto suficiente a fim de ajudar cada vez mais pessoas”, conclui Lana.
Aos poucos, os estudantes pretendem continuar com o projeto. A intenção é a de atrair colaboradores para lançar uma nova versão do aplicativo com mais funcionalidades. O objetivo é expandir o projeto para outras tecnologias, como um aplicativo para iOS e um WebApp.
SERVIÇO
Instagram: @doesempreoficial
Facebook: @projetodoeSempre

SOCIAL MEDIA

MARCADORES