quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

7 mitos e verdades sobre um transplantado de medula óssea


Meus amigos, resolvi escrever um pouquinho sobre mitos e verdades sobre o transplante, dentro do propósito de conscientização do blog, e claro: sempre de forma descontraída e bem humorada. Lembrando que as respostas são minhas, feitas a partir da observação dos procedimentos aos quais estou sendo submetido. Então não tem nada de científico, ok? Ao invés de 7 ondinhas, vamos às 7 afirmações. Bora lá:
1) O TRANSPLANTADO TEM QUE FICAR ISOLADO DE TUDO E DE TODOS.
Mito. O transplante não impede o paciente de receber a visita de entes queridos. Nesses casos, a palavra mágica é a MODERAÇÃO. Não é porque não é proibido que o leito deve virar uma balada universitária. Não confundir liberdade com libertinagem! O ideal é que as visitas sejam rápidas, que o visitante não tenha tido contato com nenhuma pessoa doente, o impreterível uso de máscaras e a assepsia das mãos. Com esses cuidados, a visita pode ocorrer normalmente.
Obs: se o paciente estiver MUITO debilitado, a equipe médica pode recomendar a suspensão das visitas até que o paciente esteja melhor.
2) O PACIENTE TEM QUE TOMAR MUITOS REMÉDIOS DIARIAMENTE.
Verdade. Há uma variação de paciente para paciente de acordo com o seu quadro clínico, mas a quantidade de medicamentos administrados é sempre muito alta, já que é a única forma de prevenir infecções virais, bacterianas e fúngicas, além de prevenir rejeições. Vamos aos mais curiosos:
O primeiro é curioso pelo nome: AMBISOME, a quem demos o apelido de LAMBISOME, aquele que “lambe os omi”. Hahaha. Foi fundamental para a cura da pneumonia.
Outro curioso – agora pelo cheiro – é a CICLOSPORINA, que pode ser servida “na veia” ou através de enormes e generosos comprimidos que cheiram a gambá atropelado na rodovia (não, não é exagero!). Após um rigoroso processo de convencimento, consegui fazer com que a equipe voltasse a ficar com a primeira opção. Os meus buchos agradecem. Esse medicamento é usado para prevenir rejeições.
Um último exemplo é o FOSCAVIR, medicamento importado (e muito caro) no combate ao citomegalovírus (até o vírus que eu pego tem galo no nome!!). Isso porque o componente nacional disponível no mercado é muito tóxico para a medula, e não podemos correr o risco de perder os avanços obtidos até agora.
3) O FATO DO TRANSPLANTADO COMEMORAR A DATA DA PEGA COMO NOVO NASCIMENTO É APENAS UMA TRADIÇÃO.
Mito. O transplantado, com o sucesso do transplante, passa a reunir várias características de um recém-nascido que vão muito além do clichê “nasci de novo”.
Isso porque perdemos o nosso histórico imunológico, e tal qual um bebê, passamos a ter contato com o mundo (e consequentemente com vírus e bactérias) pela primeira vez.
Para se ter uma ideia, rasgamos o nosso cartão de vacinação e o trocamos por um novinho em folha, para que todas as vacinas sejam novamente administradas em nossos organismos. Não é demais?
Além disso, ficamos expostos a doenças que normalmente aparecem durante a infância, como catapora, sarampo, rubéola e até mesmo o citomegalovírus, que nas crianças quase sempre é diagnosticado como uma simples virose. O grande cuidado nisso tudo é que essas doenças nos adultos são muito mais complicadas e agudas.
Mas o fato é que sobram razões para comemorarmos a data da pega como sendo a do nosso renascimento, do nosso novo aniversário.
4) O TRANSPLANTADO PASSA A TER O TIPO SANGUÍNEO DO DOADOR.
Verdade. Por incrível que pareça, o tipo sanguíneo não é determinante para aferição da compatibilidade entre doador e receptor.
Isso significa que o doador pode ter um tipo sanguíneo diferente daquele que vai receber a medula, e mesmo assim ambos podem ser compatíveis.
Comigo isso não aconteceu, pois coincidentemente eu e minha querida doadora temos o mesmo tipo sanguíneo. Ela é linda né?
5) QUEM FEZ TRANSPLANTE DE MEDULA PODE FAZER EXAME DE DNA.
Verdade. Que pode fazer pode, mas o resultado dependerá da escolha do material para coleta.
Acabamos de ver que o transplantado passa a ter o tipo sanguíneo do doador. Na prática, isso apenas revela que o DNA no sangue também se transforma, passando a ser aquele do doador. Que loucura, não?
Vamos a um caso prático: se um pimpolho aparecesse hoje dizendo ser meu filho, e o exame de DNA fosse feito a partir da coleta do meu novo sangue, o resultado inevitavelmente seria NEGATIVO (fosse ele meu filho ou não hahahahaha).
Mas não se animem mentes perturbadas. Nesses casos, se o exame fosse feito pelas células da minha boca, pele ou cabelos, o resultado do exame seria real, pois nessas estruturas o meu DNA original fica mantido.

A conclusão é que o transplantado pode fazer exame de DNA, mas a certeza do resultado real dependerá da correta escolha do material para coleta.
6) QUEM FAZ TRANSFUSÃO DE SANGUE OU PLAQUETAS TAMBÉM TEM O DNA DO SANGUE ALTERADO.
Mito. Mesmo recebendo o sangue de outras pessoas, as características básicas do DNA são preservadas. Mas é importante informar essa circunstância na eventual necessidade de realização de um exame de DNA.
7) A FÉ, A FORÇA E O OTIMISMO INTERFEREM NAS TAXAS DE SUCESSO NO TRANSPLANTE.
Verdade verdadeiríssima. E dessa vez a resposta não é minha, e sim das mais renomadas autoridades médicas do mundo. Matéria publicada em “O Globo” de 12/07/2013 mostra que “espiritualidade e força são citadas por especialistas como responsáveis por aumentar em 29% as chances de sucesso em tratamentos médicos”. Isso é muito, gente!
A matéria, intitulada “Medicina e Fé de mãos dadas”, nos dá ricas lições de casos médicos resolvidos a partir da fé e da força dos pacientes. Isso para mim é tão cristalino quanto água mineral.
E apesar de ainda existir grande resistência da classe médica, é muito legal saber que 70% das faculdades americanas de medicina já possuem pelo menos uma disciplina associando religiosidade e saúde.
Está ai um bom exemplo a ser seguido Senhor Ministro da Educação e Senhor Ministro da Saúde. Ao invés de ficarem deixando vazar o resultado do ENEM ou criando mecanismos para limitar o número de doadores de medula, poderíamos estar formando profissionais mais atentos à força e ao poder da espiritualidade.
Isso, na minha humilde opinião, precisa ser ensinado em sala de aula!! Não estou dizendo que religiões ou crenças devam ser impostas. Nada disso. Afinal, vivemos em um país laico.
Mas não tenho dúvidas que a formação de médicos mais sensíveis (já temos muitos) a questões religiosas, ou que pelo menos reconheçam e respeitem a força que a fé possui, são passos importantes para alcançarmos a cada dia a tão desejada e idealizada CURA.
Alguma dessas 7 informações é nova para você?? Se sim, já terei cumprido o objetivo desse post.
Em relação a mim, estou muito bem, com algumas náuseas e febres às vezes, mas em pleno tratamento e com a confiança lá em cima. A minha nova medula já é capaz de produzir leucócitos e neutrófilos (células de defesa) nas quantidades necessárias, mas ainda não produz hemácias e plaquetas, exigindo transfusões diárias desses componentes, o que é absolutamente normal.
Sim, passamos o Natal e o Ano Novo no hospital, mas sem perder o estilo. Me dá imagens!!
(https://transplantando.org/2014/01/03/7-mitos-e-verdades-sobre-um-transplantado-de-medula-ossea/)

Entendendo melhor o Transplante de Medula Óssea





A medula óssea é um tecido do nosso corpo de consistência líquida e gelatinosa, presente na cavidade dos ossos. É diferente da medula espinhal, que é formada por tecido nervoso presente na coluna vertebral.
A medula óssea tem a finalidade de produção das células de defesa do nosso corpo (leucócitos), das células necessárias á coagulação do sangue (plaquetas) e das hemácias, que são aquelas que fazem o transporte do oxigênio para o pulmão. Quando há uma deficiência na medula óssea, existe a diminuição brusca destes componentes do sangue, e que é identificada através do exame de sangue.
Existem vários tipos de doenças da medula, dentre as mais comuns a leucemia. Nesta doença, o indivíduo não consegue produzir de maneira necessária as células para a defesa de seu organismo.
Em muitos casos, o tratamento mais comum é o transplante de medula óssea (TMO). Ele pode ser usado como um tratamento complementar na recuperação do paciente, e também fundamental.
Na TMO, o paciente (receptor) recebe por veia, a medula óssea extraída de um outro indivíduo (doador), que deve ser compatível com ele. Em 25% dos casos, a compatibilidade ocorre através de pessoas da mesma família, como pais e irmãos. Caso não haja compatibilidade, aí então é necessária a busca de um doador externo, e a recorrência ao REDEME, que é uma rede nacional de cadastro de doadores de medula óssea.
Para ser um doador, o procedimento é simples: basta cadastrar-se, dirigir-se a algum Hemocentro mais próximo de sua residência, e então fazer a coleta de sangue, que é por onde são analisadas as características de seu sangue e a compatibilidade por algum receptor, que também estará cadastrado em um registro nacional de receptores de medula óssea (REREME).
Quando é identificado um receptor compatível com sua medula óssea, você é acionado e deve dirigir-se ao Hemocentro rapidamente, para a realização do transplante de medula. Por isso, é fundamental a constante atualização de seus dados cadastrais, para que haja a sua localização imediata.
A doação da medula óssea é realizada em um ambiente hospitalar, dentro do centro cirúrgico. O doador recebe anestesia e o procedimento dura em torno de 02 horas. Após o procedimento o doador permanece internado por cerca de 24horas e recebendo analgésicos caso seja necessário. A punção da medula no doador é feita na parte de trás do quadril, próximo ás nádegas, e a dor após o procedimento é absolutamente suportável, e se assemelha á dor causada por uma injeção de benzectacil ou um tombo de costas.
A doação da medula, em alguns casos, também pode ocorrer por meio da retirada da mesma através da veia, chamado de aférese. Porém, qual o melhor procedimento será avaliado pela equipe médica e de acordo com as necessidades do receptor. Após a doação, a produção da medula óssea do doador é reestabelecida em poucas semanas, e sem haver prejuízos á sua saúde.
Para o transplante da medula óssea no receptor, o mesmo também a recebe no hospital, em uma unidade apropriada, e recebe uma série de cuidados antes, durante e após o transplante, permanecendo internado por até 01-02 meses após o procedimento.
Para ser um doador é necessário estar em perfeitas condições de saúde, e ter entre 18 e 54 anos de idade.
Existem alguns sites que disponibilizam informações sobre o transplante e a doação de medula, e o que é necessário para se cadastrar na rede nacional:

SOCIAL MEDIA

MARCADORES